A linguagem expressa no Hino Nacional é antiga e cheia de palavras rebuscadas às quais não estamos acostumados, e por isso muitas vezes não percebemos os detalhes históricos nele contidos, uma história de glórias e conquistas da nossa nação.

Para se ter uma noção do quão importante é saber o hino nacional decor, na Lei n° 5.700, de 1971, se estipulava a obrigatoriedade do ensino do canto e da interpretação da letra do Hino Nacional em todas as escolas públicas e particulares, de primeiro e segundo graus (art. 39)1. Aliás, naquela época, ninguém poderia ser admitido em qualquer cargo público sem conhecer esse Hino (art. 40).

Assim, é de extrema importância escutá-lo e decorá-lo.

Outro exemplo da importância do hino é que, uma vez que se inicia a sua execução, segundo o decreto nº 2.243, de 3 de junho de 1997, no Artigo 87, § 2º, não pode haver interrupções.

O Hino Nacional

Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Melodia: Francisco Manuel da Silva

Primeira parte

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Segunda parte

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– “Paz no futuro e glória no passado.”

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Primeira parte
Estrofe por estrofe

Primeira estrofe

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Ipiranga: rio presente no estado de São Paulo, onde D. Pedro I proclamou a independência.
Plácida: calma, tranquila.

Brado: grito forte.
Retumbante: que ecoa por todos os cantos.
Fúlgido: brilho em excesso.

Essa primeira estrofe se refere ao momento exato da Proclamação da Independência do Brasil em relação a Portugal, dando a localização do evento e apresentando, de uma forma heroica, como se deu esse momento glorioso.

Na realidade, a independência foi algo necessário, pois a corte portuguesa, tomada por homens tiranos, inimigos da Santa Igreja e da própria monarquia portuguesa, desejava subjugar D. Pedro I e seu pai, o rei de Portugal, bem como todos os outros nobres. Como foram enviadas tropas ao litoral brasileiro, acreditando poder tomar o controle sobre o Brasil e sobre o Príncipe, este cortou relações políticas com a corte portuguesa.

Segunda estrofe

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Penhor: garantia.

Esta estrofe representa a nossa liberdade em relação a Portugal; não que Portugal tenha sido ruim para o Brasil, como muitos livros didáticos de ideologia marxista ensinam, muito pelo contrário, o Brasil só se tornou grande e com uma cultura católica elevada por causa dos portugueses. Esta estrofe ostenta que nos tornamos um país independente e soberano semelhante a Portugal e outros países.

Ademais, o próprio D. Pedro I foi o líder desse processo. Sendo português, ele amava sua pátria natal, mas adquiriu grande afeição pelo Brasil, a ponto de arriscar tudo, até mesmo seu trono português, para que nossa pátria se tornasse ilustre. Por isso, poderia se afirmar do líder e dos patriotas que o seguem: “Desafia o nosso peito a própria morte!”.

Terceira estrofe

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Esta estrofe usa duas palavras fortes dirigidas ao nosso país, ‘amada’ e ‘idolatrada’. É evidente que não se trata do pecado da idolatria, pois tanto o ato de amar quanto o de idolatrar são aqui metáforas. O que o autor quis explicitar é que o Brasil deve ser querido e protegido por todos, além de exigir que nos esforcemos para que ele cresça e dê muitos frutos, na cultura, economia, política, educação, desenvolvimento das cidades, etc. O que importa não é o país em si, mas as pessoas que estão dentro dele, pois essas terras, com todas as suas riquezas e bens, são passageiros e um dia virarão poeira:

Os cristãos residem na sua própria pátria, mas vivem todos como de passagem; em tudo participam como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria”.

Inclusive, em nosso trabalho, estudo, oração, convívio, devemos servir a pátria, até mesmo defendê-la de todo mal, imitando o exemplo dos cruzados que foram libertar a Terra Santa da opressão maligna dos muçulmanos.

Quarta estrofe

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Vívido: expressa vivacidade, força e vigor.
Límpido: pureza e transparência.

Resplandece: ação de brilhar intensamente.

A esfera azulada, impressa na área central de nossa bandeira, representa o céu do dia da Proclamação da República, apresentando várias estrelas e constelações, tendo como principal destaque a constelação do Cruzeiro do Sul.

Essa constelação recebe esse nome porque contém cinco estrelas principais posicionadas no formato de uma cruz, no qual se encaixam exatamente na posição das cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, com exceção da estrela menor central, que se posiciona no lado oposto. Além disso, essa constelação serve de orientação cartográfica, já que marca a posição norte para quem mora no Hemisfério Sul.

Na ocasião da Proclamação da República, Marechal Deodoro pediu ao artista que desenhasse as constelações de forma espelhada ao que era visto a olho nu. Deste modo, a estrela menor do Cruzeiro do Sul, que representa o lado aberto de Nosso Senhor, fica na posição condizente onde Jesus a recebeu no coração. No brasão das Forças Armadas do Brasil, a constelação segue sua posição original no céu, com a estrela menor localizada à direita.

Esse símbolo nacional representa também o nosso verdadeiro objetivo de vida: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mt 16, 24).

Quinta estrofe

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Impávido: destemido.
Colosso: algo, alguém ou animal excessivamente grande e forte.

O Brasil é o 5º maior país do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados (cobre quase toda a extensão da Europa); possui uma exuberante vegetação, como a Floresta Amazônica; invejável hidrografia, como a bacia do Rio Amazonas, ou os aquíferos Alter do Chão e Guarani; uma história e uma cultura enraizadas na Igreja Católica que uniram o povo e formaram uma nação soberana. Esses e tantos outros aspectos fazem do Brasil um gigante pela própria natureza, ou seja, naturalmente fomos escolhidos por Deus para sermos grandes, em virtude, santidade e coragem para enfrentar o maligno, dando a vitória a Cristo, além dos valorosos bens naturais que possuímos.

Segunda parte
Estrofe por estrofe

Primeira estrofe

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Esplêndido: característica do que possui grandeza e brilho.
Fulguras: aquele que se destaca entre os outros; propaga luz e brilho.

Florão: enfeite em forma de flor, normalmente colocado no centro do teto.

Aqui se destaca a geografia do Brasil e sua exuberância natural: rios, morros, florestas e tudo aquilo que formam como que um berço da natureza. Ademais, a palavra “berço esplêndido” também se refere ao caráter monárquico que possuímos, não simplesmente por descendermos da monarquia portuguesa, mas por sermos grandes como reis, sendo inclusive o “florão da América”, ou seja, aquele país que mais se destaca no continente, que por muito tempo fora chamado de Novo Mundo, por ter sido descoberto em épocas mais recentes e por representar, de fato, um novo mundo, seja pelos povos encontrado, seja pelas paisagens e climas paradisíacos desses lugares.

Segunda estrofe

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores.”

Garrida: em que há elegância e graciosidade; exuberância.

Nossos bosques têm mais vida, quer dizer que eles têm mais beleza e vitalidade. Além disso, as aspas em dois versos dessa estrofe são usadas por Duque Estrada no original, pois representam citações dos versos de Gonçalves Dias em “Canção do Exílio”:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá…
…Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Quarta estrofe

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
– “Paz no futuro e glória no passado.”

Lábaro: pode se referir a uma bandeira ou estandarte, com as cores ou com o símbolo de determinada nação.
Verde-louro: o verde e o amarelo, principais cores da nossa bandeira.

Flâmula: tem o mesmo significado de lábaro.

O lábaro era um estandarte muito usado pelos exércitos romanos, especialmente as legiões, e no Brasil está representado por nossa Bandeira, repleta de estrelas.

Em relação às cores da Bandeira Nacional, não se resumem ao verde e amarelo, mas se destacam pelo episódio histórico em que D. Pedro I, ao proclamar a independência, cortou os laços branco e azul (cores de Portugal) que estavam em seu uniforme real e pôs no lugar os laços verde e amarelo, representados pelos novos regentes do Brasil, a família Bragança e a Habsburgo.

É interessante notar que, quando D. Pedro I transformou o Brasil em um império, este se tornou um país soberano, de riquezas incontáveis, com um exército destemido e poderoso, submisso à única e verdadeira Igreja, que é a razão de nossa existência. Além de rica e poderosa, nossa pátria buscava a santidade. Angariamos nossas glórias no passado, que poderiam ter dado paz para o futuro, mas, como estava nos planos do maligno destruir a Igreja de Cristo, ele enviou seus capatazes (positivistas, maçons e cientistas ateus) para derrubar a monarquia no Brasil, e junto com a ela a Esposa de Cristo.

Contudo, o futuro ainda nos reserva muita coisa, podemos ainda nos tornar uma nação que respira o odor de Cristo, que saúda a Virgem Maria em todas as horas, e vive para se doar ao próximo, querendo assim agradar a Deus. Na nossa atual situação, notamos que isso é impossível, mas “Jesus olhou para eles e disse: ‘Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível’” (Mt 19, 26). Portanto, tenhamos esperança nesta Verdade.

Quinta estrofe

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Clava: arma feita com um pedaço grosso e maciço de madeira, sendo uma de suas extremidades mais volumosa, muito utilizada como arma de ataque ou de defesa.

Esta estrofe dá a entender que jamais abandonaremos a luta direcionada à preservação do bem moral, da tradição, da família e, sobretudo, da Santa Igreja. Conseguimos muitas vitórias importantes, seja nas batalhas corporais, como quando os protestantes holandeses e franceses quiseram derrubar o catolicismo de nossa cultura e nosso povo gloriosamente os venceu (pela graça divina); seja nas batalhas políticas, quando foi instaurado o poder monárquico imperial, no começo do século XIX, evitando que os ideais iluministas e positivistas penetrassem no coração do Brasil. Mas, muitas ainda estão para ser travadas, contra toda e qualquer ideologia que se levante contra as verdades da Santa Religião.

Se os resultados forem favoráveis à vontade de Deus e edificação da Santa Igreja, poderemos cantar exaltados a última estrofe do hino:

Terra (de Santa Cruz) adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada Brasil!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *